Vou lhes fazer um anúncio que já fiz no Contra os Reis e as Religiões em fevereiro de 2010: o do jornal cultural “Conhece-te a ti mesmo”. Não precisa torcer o nariz por eu falar de um jornal cultural: esse é mesmo bom. O jornal é de Conselheiro Lafaiete (MG). Eu já fui um dos colunistas.
Para conhecer melhor o jornal, veja os textos nos apêndices (são o último da edição mais nova e outros de edições de anos passados). O texto “Rapidinhas com prostitutas (no bom sentido)”, publicado aqui, foi publicado também na edição de maio de 2010 do jornal.
A novidade, pela qual republico este anúncio, é que o jornal tem sua página na internet: http://www.jornalconhece.com.br
Um abraço cordial
Walter Nunes Braz Júnior
Apêndices
Sou uma toupeira!
Marcelo Pereira Rodrigues
nosmpr@hotmail.com
Sim, sou eu mesmo! MPR confessando ser uma toupeira, uma “cavalgadura ambulante”. Explico: Algumas pessoas vieram me informar acerca da pesquisa de uma cientista francesa, com a seguinte definição: “Homens inteligentes não traem”. Foi quando rememorei as minhas famosas puladas de cerca, minha síndrome de Don Juan (o amor fugidio) e fiquei deveras preocupado. Sim, MPR é uma toupeira na visão dessa cientista francesa. Mas quero ressaltar alguns pontos e fazer críticas a este estudo.
Primeiro, é necessário explicar o que a cientista entende por inteligência. Somente a informação primeira deixa muito a desejar. Há muito tempo já se estuda a importância da Inteligência Emocional, assim como outras variantes. Inclusive há um estudo muito sério em forma de livro, por Daniel Goleman.
O grande problema é que ainda nos pautamos somente pelo aspecto racional da coisa. MPR é uma mistura híbrida de razão pura e sentimentos confusos. Minhas tentativas de fidelidade caem por terra quando vejo uma mulher. Às vezes, sinto-me um homem das Cavernas. Dá vontade de brigar com outro macho, bater a clava na cabeça da mulher e levá-la para a minha toca, arrastando-a pelos cabelos. Antes que alguma feminista se insurja contra este comentário, devo salientar que é no sentido figurado.
Respeito muito as mulheres. Elas são as flores esperando serem polinizadas pelo beija-flor do MPR. Inclusive estou fazendo uma pesquisa acerca. Tenho saído com algumas pretendentes.
Mulheres criaram um mito de que não podem ir para a cama com o parceiro logo no primeiro encontro. Quando o vinho francês termina, quando os pratos se esvaziam, quando a sobremesa em forma de petit gateau, enfim, quando tudo fica naquele período de “ou dá ou desce”, sugiro irmos a um motel. Já aconteceu comigo, em muitos casos, de ser vítima de uma barganha sentimental. A mulher explica: “MPR, eu estou com muita vontade. Mas eu fico preocupada com o fato de começar a gostar mais de você. E se você desaparecer, pois você viaja muito? Como é que eu fico?”. Dá vontade de responder: “Ué, fica com a saudade!”.
Estranho, caso perfeito de barganha sexual. É o famoso “Eu te dou, mas você tem que assumir um compromisso”. Apesar de ser uma espécie de Jece Valadão, MPR sugere então deixar a fêmea em sua casa, indo dormir sozinho. “Eu hein? Mulheres desesperadas por compromisso”. Têm algumas que casam apressadamente com medo de permanecerem solteiras aos 28 anos. Aliás, casamento é igual cultivar uma plantação de chuchu na cerca. Depois de algum tempo, se você enjoar-se do gosto, vem o vizinho e come o chuchu (a sua mulher). Se não enjoar, não tem problema: vem o vizinho e come assim mesmo…
MPR é o centro do mundo dele. Posso compartilhar momentos, nunca uma relação duradoura. Sou o “George Clooney de Barbacena”. E compartilho a frase de Bruno Mazzeo: “Malandro é o pato que já nasceu com os dedos colados para não ter que usar aliança”. Amo e admiro as minhas mulheres (todas elas), mas admiro bem mais aquelas que são independentes. Que não se entregam a pequenos elogios e que se comportam com altivez. Falam tanto da Revolução Feminina, mas MPR quer acreditar que é bem mais que “queimar o sutiã”. As mulheres poderiam se insurgir contra o número excessivo de mulheres estereotipadas em anúncios de cerveja. Aqui no Brasil, com a crescente e, aliás, sempre constante “mostra de bundas”, coitadas das mulheres que correm atrás deste perfil. Enquanto isso, verdadeiras damas da nossa convivência não são lembradas. Vá perguntar à muitas mulheres se elas sabem quem foi Ruth Cardoso ou Zilda Arns!
Sendo completamente preconceituoso, aposto que essa cientista francesa tomou uma bela de uma galhada. Exatamente por ser uma cientista, uma espécie de Albert Einstein de saias. MPR, que ensaia seus primeiros passos como cientista (simplesmente adoro!), cortou o cabelo, pois era pego em flagrante toda vez que estava imerso em livros e batia algum vendedor em sua casa. Cientista é meio excêntrico mesmo. Pois bem, essa cientista não devia arrumar as unhas, não fazia uma escova progressiva no cabelo, não era sensual o suficiente dormindo de cansaço às onze da noite, quando seu parceiro intentava abrir um belo vinho Cabernet. Passa o tempo, o cara pensa: “O quê, estou me relacionando com um homem de saia!” O que acontece? O sujeito manda a cientista passear e ela promete: “Vai ver, vou fazer uma tese para chamá-lo de burro!”. Dá até para ver aquela descabelada esquisita anunciando a sua pesquisa, e pior, comprometendo a autoestima do MPR, que sempre primou por sua inteligência. Serei burro?
Concluindo, a Ciência é constituída toda ela da fórmula “tese – antítese – síntese”. A francesa publicou uma tese. MPR acaba de publicar a sua antítese. E cada leitor deste pasquim pode realizar a sua síntese, que no caso terminará sendo a tese primeira, e daí por diante. “Francesa dos capetas! Sou burro, mas pelo menos tomo banho!”
Afinal, um caso para se pensar. E se sou burro, ao menos vario o cardápio!
PS: Existem inteligências das mais variadas: emocional, afetiva, espacial, racional, etc.
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RODRIGUES, Marcelo Pereira. Sou uma toupeira! Conhece-te a ti mesmo, nº 110, abril de 2010, pág. 02. Grifos no original.
Certo, mas isso é importante para mim porque…
Por Felipe Melo
felipesmmelo@yahoo.com.br
Há algum tempo li um livro chamado The 4-hour workweek de um economista chamado Timothy Ferris. O objetivo da obra é explicar como é possível conseguir muito dinheiro trabalhando apenas 4 horas por semana. E entre outras dicas interessantes, o economista argumenta que é importante ficar afastado de notícias. Isso mesmo, ficar afastado. “Isso é um absurdo! Devemos sempre estar muito bem informados, ler jornais, assisti-los na televisão. Nunca mais leio esse jornaleco!”.
Mas por que absurdo? Por que vai contra o senso comum? Analisemos.
Após a leitura resolvi levar adiante a idéia transmitida no livro (de outra forma, para que a leitura?), e fiquei totalmente alienado da mídia popular por uns 4 meses. Quando resolvi novamente assistir a telejornais, minha atenção foi estuprada pelo caso “Isabela Nardoni”. Eu então pensava, “esse nome não me é estranho…”, até que finalmente me lembrei do que se tratava. Então imaginei “até hoje? Realmente não fazia a menor idéia de que isso ainda estava tão pop. O autor do livro ficaria orgulhoso com meu empenho!”. Vim saber então que o caso estava novamente em voga por causa do julgamento, que não havia ocorrido à época do crime. Vi então uma multidão nas ruas pedindo justiça, pessoas com cartazes e faixas, algumas delas com mensagens à própria menina – não entendi muito bem, mas vá lá – um homem amarrado a uma cruz – que entendi tanto quanto o exemplo anterior – entre outras demonstrações de preocupação com a vida alheia. Assisti a duas reportagens, e ao final da segunda me ocorreu uma pergunta que abriu um vão do tamanho do absurdo que eu estava a presenciar: o que eu tenho a ver com isso?
Pronto, o mundo estava desabando sob meus pés! Por mais que pensasse não conseguia encontrar resposta. Tentei então fazer o mesmo exercício para todas as outras reportagens e… nada! Absolutamente nada do que foi veiculado possuía qualquer relação com minha vida. Notícias de assassinatos, de resultados esportivos, e da Isabela Nardoni. “Insensível, coração de pedra, covarde” e até “atleticano” são os adjetivos que me arrisco a receber por não me sensibilizar com tão chocante episódio.
A respeito disso gostaria de dizer o seguinte, me chocou sim, realmente considero cruel, porém, não tenho qualquer tipo de relação com quaisquer dos familiares da menina, e mais do que isso, coisas muito mais chocantes acontecem diariamente sem que qualquer dos que me venham a alcunhar das já citadas maneiras se dignem a tomar nota. Nos cartazes que vi de solidariedade aos desconhecidos familiares da menina, e até a ela própria, não vi um sequer pedindo por melhorias nas condições viárias, no sistema educacional, no salário mínimo, pela reforma política, agrária, por apoio à cultura, por novas universidades, pela redução da corrupção, enfim, não vi ninguém pedindo por coisas que viessem a resolver suas próprias vidas.
Vi pessoas perdendo tempo lutando por uma causa que não diz respeito algum a elas. E me arriscando como psicólogo, imagino o seguinte, essas pessoas estão de alguma forma infelizes com as próprias vidas, e estão totalmente dominadas pela inércia, de maneira que estão imóveis em relação às soluções de seus próprios problemas, mas ganham força por enfim agir, tomar parte em algo “grande”, “fazer diferença”, “mostrar pró-atividade”, porém com algo completamente inócuo com respeito a seus próprios destinos. Se sentem atraídas por problemas que não lhes dizem respeito, por não haver conseqüências se estiverem erradas.
Com isso em mente, sinto-me um pouco mais à vontade para tentar derivar uma causa para a inutilidade das informações veiculadas pela grande mídia. As pessoas se interessam simplesmente porque o que é veiculado não possui relação alguma com suas vidas. Ilógico? Paradoxal? Ridículo? Bem, então preste um enorme favor ao meu espírito científico, envie-me um e-mail justificando seu interesse no caso “Isabela Nardoni”. Por que isso é importante para sua vida? Quais são as conseqüências em seu cotidiano? E lanço aqui também outro desafio, assista/leia reportagens – inclusive essa – e ao final pergunte-se: isso é importante para mim por que…?
E não se assuste com o vácuo.
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MELO, Felipe. Certo, mas isso é importante para mim porque… Conhece-te a ti mesmo, nº 111, maio de 2010, pág. 07.
Mulher: Rainha do Mundo e Escrava do Desejo
Danielle Ribeiro Santos
daniribeiro56@yahoo.com.br
Dizem que as mulheres são o sexo frágil, que são complicadas, que é mais fácil compreender física quântica do que entender uma mulher. Mas, como dizia Vinícius de Moraes “mulher não foi feita para ser entendida e sim para ser amada”. Muitos filósofos debruçam-se sobre esse tema. Alguns dizem que a mulher só se torna uma mulher quando tem um homem, outros afirmam que a mulher não existe. Mas, faço-lhes uma pergunta: o que realmente quer uma mulher?
Ah mulheres! Estes seres redondos repletos de curvas voluptuosas, que não se cansam de enfeitar seus corpos dos pés à cabeça com adornos coloridos e brilhantes.
E seu caminhar? Mexendo elegantemente os quadris para lá e para cá, equilibrando-se naqueles saltos altos, que são bonitos, mas pouco confortáveis, diga-se de passagem, têm o poder de deixar o bumbum mais empinadinho.
Na sociedade em que vivemos, as mulheres são educadas de maneira particular, a começar pelos brinquedos e brincadeiras: bonecas, panelinhas – brincam de ser mãe e cuidar da casa. Aprendem a ser delicadas, demoram mais para adquirir independência. Tornam-se grandes cuidadoras e por consequência dessa generosidade esquecem-se de si mesmas. Biologicamente, as mulheres possuem menos força física do que os homens. Mas em compensação, possuem uma arma sutil e poderosa: a sedução e, com esta, tornam-se rainhas do mundo e escravas do desejo.
A mulher nunca é uma mulher, ela está sendo, e isso se deve a várias facetas do feminino, possibilidades, devir. Tudo aliado a um desejo, a uma abertura, uma vontade de ser e transitar por vários lugares: ora menina, ora mulher, ora mãe. Como podemos perceber numa música interpretada por Cássia Eller:
“(…) Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor (…)”
As mulheres guardam em seu ventre o segredo da vida, possuem a beleza de Afrodite e a sabedoria de Minerva, preocupam-se com os detalhes, dando um toque especial a tudo que está à sua volta. Voltando à pergunta inicial: o que realmente quer uma mulher? – Não sei a resposta, mas posso dizer que ela quer tudo e ao mesmo tempo não quer nada… Na verdade, quer apenas ser feliz e essa felicidade não está em vidros coloridos de perfumes, nem em jóias valiosas, muito menos em bolsas e sapatos de grifes. E sim na simplicidade, na relação com o outro, ou seja, no amor. Basta ter sensibilidade para atingir o seu ponto “G”, que vai muito além de sua dimensão corpórea, seu clímax (orgasmo) encontra-se em sua psique.
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SANTOS, Danielle Ribeiro. Mulher: Rainha do Mundo e Escrava do Desejo. Conhece-te a ti mesmo, nº 111, maio de 2010, pág. 20. Grifos no original.
Limitação de ideias
Brígida Rodrigues
Paulo Freire. O pai da pedagogia. Existe um caso vivido por este grande homem. Ele ainda era pequeno e escreveu uma redação para sua professora. Ela riscou seu texto, ressaltando vários erros de português. Mas, quando entregou a ele o texto corrigido, disse a seguinte frase: “Você será um grande escritor”.
O que a atitude da professora nos mostra? Que devemos valorizar as ideias, a essência e a criatividade, e não os erros ortográficos. Escrever não é uma atitude fácil, imaginem então escrever seguindo um padrão?
Circulou na internet o caso da filha da Xuxa. A menina escreveu cena (de filme) com “s”. Todos fizeram o maior alarde, questionando que uma criança com tantas oportunidades e com altíssimo nível de escolaridade tenha cometido tamanha gafe. De fato, não foi um erro de digitação… Mas não vou discorrer este texto em cima de um fato que só se tornou discutível por que havia uma pessoa famosa envolvida. Voltemos ao assunto.
O ato de criar é fantástico e não deve, de forma alguma, ser repelido enquanto somos crianças.
A norma ortográfica se aprende ao longo de nossos anos na escola. Mas o processo criativo não em à tona em todos os momentos. Uma vez cortado de forma brusca, recuperá-lo se torna difícil.
“Conectar a escrita como um ato corporal dinâmico e espontâneo exige flexibilidade e imaginação. Até hoje, a ênfase tem sido dada aos aspectos formais, com gramática e ortografia que invertem as etapas da escrita e inibi-se a criatividade.”
O ato de escrever é uma sensação muito prazerosa, mas não é fácil de ser adquirida. Como disse Michael Kanin: “Não gosto de escrever, mas depois adoro ter escrito”. No início o texto pode parecer um aglomerado de frases sem sentido, mas é assim que se começa. Enquanto se é jovem, parece que a imaginação não tem limites. Não se deve preocupar se há algum erro de concordância ou se há alguma redundância, pelo menos não enquanto se está aprendendo.
As modificações e a aprendizagem se adquirem gradativamente. A organização de um texto, escrever corretamente, ter uma ampla visão, buscar constantemente por assuntos interessantes, ler muito e ter conhecimento das principais regras ortográficas, é importante? Não, não é importante, é essencial. Mas, como citei anteriormente, é o tipo de estrutura que se adquire aos poucos, após treinos e mais treinos. Deve-se ensinar na escola que criatividade e coesão “andam juntos”, e não simplesmente censurar o aluno no ato de escrever.
É óbvio que não almejamos que os textos e frases dos alunos se tornem “pérolas” nas provas por não aprenderem a gramática. Não queremos que os alunos escrevam em suas provas, por exemplo, frases como as seguintes:
- “O cerumano no mesmo tempo que constrói também destrói, pois nós temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos”.
-”Hoje endia a natureza…”.
-”… menos desmatamentos, mais florestas arborizadas”.
-”Isso tudo é devido aos raios ultra-violentos que recebemos todo dia.”
-”Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos”.
-”A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destróem a Mata Atlântica da região”.
- “A febre amarela foi trazida da China por Marco Polo”.
Estas são frases de provas seletivas, que existem para avaliar o nível dos estudantes brasileiros. Só gostaria de saber quais atitudes são tomadas depois de circularem frases como estas… Mas, não entraremos no âmbito da questão.
O fato de ter citado tais frases não é para criticar estes estudantes, mas para mostrar como a escrita é importante e como a mesma não está ligada somente a regras gramaticais. Uma gama de outros requisitos é necessária. Como noção geográfica (o que a penúltima frase não apresentava), conhecimento histórico, conhecimento político, entre outros.
Se nos prendemos muito a regras, não estimulamos nossas ideias. A organização estrutural vem depois.
Portanto escrevam, sem medo de errar, registrem suas atividades diárias, escreva frases que podem se tornar citações ou escreva citações de outros pensadores. Criem este hábito. Vocês não sabem o quanto é bom e proveitoso conseguir expressar em palavras aquilo que sentimos.
No começo pode não ser fácil, pois como disse Julien Green: “Os pensamentos voam e as palavras andam a pé. Este é o drama de quem escreve.”, mas depois vem o lado bom. Começamos a ter a mania de registrar tudo que vemos, estimulamos nossa capacidade de interpretação, consequentemente nos tornamos leitores mais assíduos e aguçamos nossa percepção e aprendemos a analisar os vários lados de uma mesma situação.
E o principal “só quem não tem medo de escrever bobagens pode se considerar um pensador emancipado.”. Não tenham receio de escrever, só não exagerem a ponto de se tornarem “pérolas”…
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RODRIGUES, Brígida. Limitação de ideias. Conhece-te a ti mesmo, nº 110, abril de 2010, pág. 04.
E pra você? O que é a felicidade?
Natália Lacerda
Há determinados acontecimentos da vida que têm o poder de nos tornar mais reflexivos. É assim com todo mundo. Porém, o ritmo acelerado que a vida nos impõe nem sempre permite uma pausa para a ponderação dos nossos conflitos internos.
A verdade é que nós humanos somos seres estranhos. Possuímos a imensa capacidade de progredir, de acumular riquezas, de desfazer os entraves do cotidiano, mas não a de encontrar a plena satisfação pessoal. Vivemos sempre buscando algo que não temos, e sempre descartando aquilo que já conquistamos. Temos o péssimo hábito de nunca estarmos satisfeitos com o que somos e com o que construímos. Nossas realizações nunca têm o sabor da conquista alheia. Não é verdade?
A felicidade parece estar em um patamar acima do nosso e se torna alvo de uma busca incessante. Por mais que tenhamos bens, saúde, uma família, sempre falta algo. E o engraçado é que esse algo se encontra distante, por vezes impossível, e transforma a vida numa eterna espera.
Mas afinal, qual seria a definição ideal de felicidade? A resposta não é simples, assim como a felicidade também não é. E diante da complexidade do ser humano, não poderia mesmo haver uma solução matemática. Talvez a felicidade não se resuma em bens materiais, embora estas coisas ajudem muito. Talvez não estejamos dispostos a nos deleitar com as coisas simples da vida. Reconheço que isso é filosófico demais, mas é realidade. Afinal, a vida deveria ser encarada com mais simplicidade. Mas é difícil ver simplicidade na vida, porque a felicidade é, antes de tudo, complexa. Para Epicuro (importante filósofo grego) a insatisfação constante do ser humano está na imposição social. Nem sempre desejamos o que realmente necessitamos, e sim o que nos impõe o consumismo, a mídia, o fator sócio-cultural. Para ele, o prazer está nas pequenas e básicas coisas, mas não enxergamos assim.
Afinal, o que lhe faz feliz? O que nos faz feliz? O que é ser feliz? Talvez seja a esperança de saber que o amanhã poderá ser melhor, e é por isso que batalhamos hoje. Porém, a visão do que é “melhor” não é global, nem unificada. Cada pessoa imagina a felicidade à sua maneira. E o curioso é que, mesmo com tantas formas de encontrá-la, a felicidade ainda não é uma constante em nossas vidas, e isso é uma opção de cada um. Pensem nisso!
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LACERDA, Natália. E pra você? O que é a felicidade? Conhece-te a ti mesmo, nº 110, abril de 2010, pág. 16.
Picaretas!
Marcelo Pereira Rodrigues
Nesta coluna, vou tentar alertar os meus inteligentes leitores e às minhas belas e inteligentes leitoras: cuidado com os picaretas! MPR explica: no ano que vem, haverá eleições municipais. Não consigo conceber período mais desgraçado para se viver. Não bastassem as tarefas e afazeres do cotidiano, vamos ter que aturar a muitos cretinos candidatos a vereadores (argh!) te enchendo o saco, pedindo voto. Esses sacripantas, fantoches e quando muito secretário de alguma associação de bairro, vão encasquetar que, chegando à vereança, terão condições de fazer alguma coisa para o povo. Tudo conversa fiada, “história do boitatá”, do “Saci-Pererê”. Coaduno com a frase do genial Diogo Mainardi que define seu sentimento em relação a político com a seguinte sentença: “Tenho asco de político. É uma gentalha que merece ser apedrejada em praça pública!”.
MPR já vem observando alguns fantoches que vestirão a roupagem de político com suas caras desavergonhadas, para iludir a massa de idiotas que se define pela palavrinha “povo”. Óbvio, há exceções, mas MPR concebe a ideia de que o voto deveria ser pesado, não contado. A democracia é uma serpente venenosa que ilude e mascara. Pela palavrinha “democracia” (estou falando de Brasil), define-se uma eleição presidencial por institutos de pesquisa comprados que entrevistam 2.000 eleitores.
Leia mais na versão impressa…
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RODRIGUES, Marcelo Pereira. Picaretas! Conhece-te a ti mesmo, nº 130, dezembro de 2011. Disponível em http://www.jornalconhece.com.br. Acesso em 16 de dezembro de 2011.
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