Os piores adversários do feminismo

Imaculada Virgínia Pereira Souto,

Abigail Pereira Aranha e

Walter Nunes Braz Júnior

A maioria acha que o grande adversário do feminismo é o homem machista, um homem vulgar, feio, tosco e com a cabeça na década de 1950 ou antes. E este homem tem algum desprezo pela mulher, mas principalmente medo, porque a mulher é melhor que ele em tudo, mas, tendo sido podada em sua vida social, não pode manifestar este potencial. E a sua campanha contra a emancipação feminina citará algo como trechos da Bíblia e imbecilidades de séculos passados.

Não é. O pior adversário do feminismo, hoje e num futuro próximo, é o homem que antes dava às mulheres amor, admiração, urbanidade e prestatividade.

Está certo que alguns masculinistas, inclusive alguns dos maiores, são machistas, ou até misóginos. Mas a parcela machista dos discursos destes pode ser tirada sem que a parte principal de seus argumentos se perca, e mesmo os misóginos geralmente mais acertam do que erram.

(Para os que não estão familiarizados, masculinismo é a defesa dos direitos do homem. Diferente de machismo, crença na superioridade dos homens sobre as mulheres, ou misoginia, aversão a mulheres. A confusão entre masculinismo e machismo / misoginia é do mesmo tipo da confusão de feminista com lésbica defensora do aborto e do extermínio de homens. Mas contra as mulheres, isso é preconceito)

O feminismo, ou o ativismo que leva este nome, não é um ideário de um mundo melhor, mas a luta por um totalitarismo lesbo-misândrico (misandria, para quem não conhece o termo, é aversão aos homens), uma ditadura da TPM. Não existem tantos ogros descuidados (e aqui falamos não em relação à população masculina em geral, mas dentro do movimento masculinista) querendo sufocar um mundo de paz e alegria só para poderem bater na companheira ou estuprar a vizinha adolescente. Páginas de movimentos machistas, como o Movimento Machista Mineiro, e fóruns antifeministas, como o Homens Honrados, não têm atalhos uma para a outra e nem se conhecem (e têm formatos e conteúdos muito diferentes). E ninguém (novamente nos referimos aos masculinistas) prefere como chefes homens asquerosos a musas agradáveis por fora e por dentro (epa!) apenas para não ser chefiado por uma mulher.

Assim como nem todos os homens são monstros de QI baixo, nem mesmo em potencial, a fada descrita pelos feministas como “a mulher” também é uma fantasia, pelo menos como regra geral. É comum encontrar uma mulher grosseira; que se dirija a uma pessoa desconhecida, sem a menor preocupação com educação, só para esbravejar por alguma picuinha; que recebe um bom-dia e faz questão de fingir que não ouviu; que trata os próprios filhos a patadas em plena rua; que conta vantagens, com amigas, de como explora o pai do seu filho que lhe paga pensão; que, sendo atendente em uma loja, talvez demore dois ou três minutos até perceber que o cliente está ali; que usou um ex-namorado, ex-marido ou ex-amigo homem como escada para ser o que é; e por aí vai. É a mulher real que os masculinistas, e qualquer homem de bom senso, não querem nas posições de destaque, pelo menos não apenas por ser mulher.

Vejamos fóruns masculinistas ou onde masculinistas participam (ex.: Homens: Quem os Entende?). Dados confiáveis e bem interpretados são citados por homens e respondidos com ataques pessoais e desconversas por mulheres descontentes, e não vice-versa. Dados questionáveis, dados corretos mal interpretados e versões fantasiosas dos fatos são citados por mulheres e bem respondidos por masculinistas, e não vice-versa. Nenhuma mulher apresentou algum caso de mais uma vítima do machismo, porque vários participantes já publicaram casos de homens que as mulheres dizem que procuram “levando a pior”.

Mas o lado podre do universo feminino é também o do feminismo (que aqui vamos usar como sinônimo, com alguma injustiça, do grupo de pessoas e ações que usam este nome).

Comentários críticos em blogs feministas costumam ser rejeitados ou apagados; em fóruns feministas, o autor pode ser expulso. O leitor pode conhecer alguns blogs feministas ou de “patricinhas” através de atalhos deixados em blogs e fóruns masculinistas. O contrário quase inexiste. A única menção de blogs masculinistas em uma página feminina que já vimos foi na reprodução de uma reportagem da Folha de São Paulo (“Jean Wyllys recebe ameaça de morte em rede social”, que comentamos em “As mulheres odeiam ser criticadas 3: transformando dizer a verdade em caso de polícia”) sobre uma comunidade supostamente masculinista intitulada “Morte ao Jean Wyllys”, onde os dois “blogs da real” são um blog forjado se passando por “O Perdedor Mais Foda do Mundo” para incriminá-lo e outro verdadeiro com o endereço escrito errado (o que significa que os donos da comunidade além de não serem masculinistas verdadeiros nem mesmo são leitores assíduos pelo menos deste blog). Fora isto, vimos duas leitoras assíduas do A Vez das Mulheres de Verdade citando textos nossos por aí. E, até onde sabemos, é tudo.

O Manifesto SCUM, que diz que “o macho é uma fêmea incompleta” e propõe o extermínio de homens para formar uma nova sociedade, nunca foi comentado em um blog feminista. Igualmente ignoradas, frases como “relação sexual heterossexual é a expressão pura, formalizada de desprezo para o corpo das mulheres”.

Além disso, questionar o feminismo ou as atitudes femininas é sempre machismo. Gostar de pornografia é ver a mulher como objeto. Dizer que mulheres também agridem homens fisicamente (fora os casos de agressão psicológica, muito mais frequentes) é negar ou apoiar a violência contra a mulher. Dizer que pensão alimentícia é uma estrutura jurídica pra sustentar mulheres vigaristas preguiçosas é o mesmo que dizer “transei gozei mais não gosto da criança e não quero pagar pensão” (veja a postagem “Homem é obrigado a pagar pensão mesmo com exame de DNA negativando a paternidade” do blog “Pensão alimentícia: um roubo!”, em cujos comentários achamos a pérola entre aspas). Ser contra uma cota de mulheres na política é não querer igualdade de gêneros no poder. Criticar a eleição de Dilma Rousseff é não gostar de ver uma mulher na Presidência (curiosamente, é pouco provável que um feminista tenha votado em Heloísa Helena em 2006).

Falando em sexo hétero, parece que quase todas as mulheres só conseguem ver o falo como símbolo de opressão, insulto e indignidade. Os impropérios machistas contra mulheres que conheceram mais de uma “lingüiça” na vida, ouvimos mais de mulheres que de homens. Os feministas podem descrever como a prostituição é humilhante para a mulher, mas só se importam com a mulher amparada pela união estável do patriarcado e deixam as prostitutas para a ONG Davida. Inclusive, a maioria das agressões a prostitutas vêm de mulheres casadas. Os feministas também dizem que a pornografia é degradante para a mulher, o que é só parte verdade, e quem quiser algo saudável e não-agressivo ainda pode encontrar. Já vimos uma feminista (Deborah, em comentário em “#lingerieday, o dia em que eu virei um bife”) dizer que “a pornografia é uma das construtoras do ideal do corpo feminino e isso atrapalha a auto-estima da maioria das mulheres que conheço”, mas para isso muitas mulheres teriam de conhecer tal material, pra começo de conversa. Por fim, as mulheres que fazem combate à prostituição e a pornografia sugerem uma composição de puritanismo, censura, monopólio sexual, inveja de mulheres atraentes, frigidez, psicose, misandria e narcisismo.

É pouco para o feminismo fazer ataques pessoais, ignorar e ridicularizar os adversários. “O Perdedor Mais Foda do Mundo”, um dos maiores blogs antifeministas do Brasil, primeiro foi invadido, depois foi forjado outro blog pedófilo e racista para se passar por ele. O Blog do Doutrinador, ainda ativo em http://www.doutrinador.com, também tem o seu “similar”. Depois, os fóruns “da real” passaram a ter medo de serem invadidos ou associados a páginas feitas especificamente para incriminá-los. Muitos blogs e comunidades que falam a verdade sobre o universo feminino têm avisos de que não apoiam nem estão associados com quem apoia crimes, enquanto nenhum fórum ou comunidade feminista se deu a preocupação de dizer algo como “nós não odiamos nem defendemos o extermínio de homens”, “somos contra a violência da mulher contra o homem”, “nós não acreditamos que todo homem não presta” ou “esse blog não defende as ideias de Valerie Solanas e outras feministas extremistas”.

Os ex-feministas, ou pelo menos ex-amigos das mulheres, serão silenciados por um você-é-frustrado toda vez que disserem em suas vidas cotidianas algo irrefutável que desabona as mulheres. Na melhor das hipóteses. Os manginas (homens que bajulam as mulheres só por serem mulheres) levarão a sério o “sucesso” que ainda têm com as mulheres (uma namorada ou esposa e dezenas de amigas superficiais), e tratarão o não-mangina como fracassado. Qualquer não-louvor às mulheres será “machismo”, o que será caso de “rever os conceitos” na melhor das hipóteses e caso de polícia na pior. Este último é o que explica o que aconteceu com Rafinha Bastos, que, mesmo que seja comediante de gosto duvidoso, começou a ser execrado depois de dizer que “toda mulher que eu vejo na rua dizendo que foi estuprada é feia pra caralho”. Também é o caso de Sílvio Koerich, do retromencionado “O Perdedor Mais Foda do Mundo” – temos discordâncias com ele, mas se o leitor nunca ouviu falar dele antes de meados deste ano, recomendamos que pesquise sobre ele, e se encontrar algo que diga que ele é pedófilo e racista ou cuja fonte é www.silviokoerich.com, não perca tempo prosseguindo a leitura.

Também cabe aqui o texto “Respeitar uma mulher é uma coisa, respeitar babaquice é outra – parte 2″, do A Vez das Mulheres de Verdade. Se considerarmos o feminismo um movimento totalitarista de indivíduos arrogantes, fará sentido mulheres dizendo normalmente e abertamente coisas como “o homem perante a mulher, precisa aprender somente 4 letras do alfabeto… O B D C!!!” (veja essa e outras em “Pérolas do Facebook”). Frases que, trocados os gêneros ou ditas por brancos contra negros, levariam o autor a, no mínimo, um linchamento moral.

Também cabe destacar aqui uma “pérola do Facebook” (fonte retromencionada): “Fazer Xixi em pé é fácil… Quero ver é você tirar o sutiã sem a blusa, sangrar durante sete dias e não morrer, se equilibrar em um salto e passar uma festa inteira sem tirá-lo ou reclamar dele, quero ver vc usar um vestido apertado, fazer chapinha no cabelo, depilação e sobrancelha, pintar as unhas, fazer os deveres da escola e ainda assim ter tempo para arrumar a casa. Nunca subestime o sexo feminino, porque garantimos que não somos o sexo frágil”. Curiosamente, quando Luís Nassif escreveu “O dia do Homem” (disponível em http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-dia-do-homem), em que cita rapidamente alguns problemas dos homens, qual o primeiro comentário?

Olha, acho que você está equivocado. O dia do homem não existe porque os homens são “discriminados”. Isso não existe na nossa sociedade, ok. Ela é dominada pelos homens. Então, esse dia trata-se justamente do combate ao sexismo, não adianta forjar o homem como vítima, ele nunca foi vítima. As políticas públicas de saúde, por exemplo, nada tem a er com discriminação, senão com o combate ao machismo que é um grande obstáculo na saúde dos homens. Procure no site do Ministério da Saúde, A Política Nacional de Atenção Integral à saúde do Homem e você vai ver o que eu estou falando. http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2008/PT-09-CONS.pdf

Desculpe, mas não tem nada mais absurdo do que falar que a classe hegemônica está sendo discriminada. Menos, por favor!!!!

(Daniela Jakubaszko)

E virá o dia em que as mulheres assumirão o poder. Visualize uma mulher casada frígida e voluntariosa, uma estudante que se formou pagando seus trabalhos escolares, uma jovem que diz sem rubor que não quer um namorado que a faça andar de ônibus e uma carola que, mesmo “culta”, fala como qualquer semianalfabeta provinciana. Multiplique esse número 4 por alguns milhões, acrescente uns 10% de mulheres com inteligência e caráter pelo menos aceitáveis e ponha essas mulheres em cada posição onde se faz algo decisivo e cada trabalho que não seja muito desgastante fisicamente ou mentalmente. Este será o mundo TPM (Todo o Poder às Mulheres). Os homens conhecerão pessoalmente algumas mulheres agora opressoras que lhes dedicam ingratidão, desprezo e vileza: eram namoradas, colegas de trabalho a quem sempre foram solícitos, mulheres que contrataram só por serem mulheres, colegas de faculdade que ajudaram em trabalhos. Recomendamos, para uma discussão mais detalhada, os textos “Visão de uma utopia feminista”, do Reflexões Masculinas, e “O mundo feminazista”, do A Vez das Mulheres de Verdade.

Uma classe oprimida com uma vida desumanizada não é novidade na História, o que será inédito é uma geração inteira de homens como-eu-fui-idiota-e-contribuí-pra-tudo-isso. Já hoje a sociedade faz muitos homens infelizes, embora os feministas digam o contrário. No mundo TPM (Todo o Poder às Mulheres), um homem não vai ter motivo para se preocupar em ter o coração batendo no dia seguinte, a não ser fazer qualquer coisa que puder contra o sistema, por mais insignificante e invisível que seja. E não terá medo suficiente de algo ainda pior para deixar de fazê-lo. Cada ex-feminista, ex-miguxo, ex-corno, ex-frustrado, ex-”boca-virgem” será, sem exceção, um rebelde.

Na verdade, preconceituoso não é o homem que é contra o feminismo, mas o que não é.

Temos um palpite de o que seria um mundo pós-feminismo. Seria algo pior para as mulheres que o machismo da primeira metade do século XX, pois os homens perceberão que se os homens do glorioso passado defendido por alguns machistas não conseguiam falar com uma mulher que não fosse sua esposa, “pegavam” éguas para aliviar o desejo pelas mulheres e trabalhavam duro para sustentar sua mulher e 5 ou 10 filhos, os homens nunca foram os dominadores do mundo, pelo menos não como outras categorias de dominadores o foram. Então, o mínimo que eles farão é deixar de dar às mulheres muito mais do que recebem. Nada de cavalheirismo, ou homens se estapeando por uma donzela. Mas esse é um assunto que podemos desenvolver em outra ocasião.

Podemos encontrar textos femininos dizendo algo como “se não se portarem como nós merecemos, ou seja, como um verdadeiro gentleman, nunca nos terão”. Nós não conhecemos homens machistas sozinhos, e temos conhecimento de bandidos que já receberam visita íntima de mulher casada na cadeia, mas conhecemos vários homens que prestam que ainda eram solteiros e virgens aos 25, 30 anos. Nós ou o prezado leitor nunca vimos um relato de um homem dizendo que era antifeminista e passou a ser militante feminista, ou pelo menos grande respeitador e amigo das mulheres. Mas se o leitor nos der uma hora, podemos juntar pelo menos dez casos do contrário. Como alguém já disse, “Quem trata uma mulher como princesa acaba virando o Bobo da Corte. Pra quê tratar mulher como princesa, se ela irá te tratar como um súdito?” Temos uma boa notícia para vocês mulheres que procuram homens de caráter, gentis, solícitos, trabalhadores, carinhosos, divertidos, bons de cama: eles ainda existem. A má notícia: vocês os estão transformando em palhaços, homens invisíveis, fazedores de favores mal retribuídos, sacos de patadas, escadas profissionais e sociais, pagadores de pensão, pagadores de cartão de crédito, etc. São vocês, mulheres, que devem mudar, antes que todos os homens que as prezam mudem.

Atualização de 29.12.11: “Quando você finalmente muda, as pessoas aprendem a valorizar o que você ERA.” Foto do blogue Bem Que Te Quero Bem (http://bemquetequerobem.blogspot.com/2011/12/blog-post_7579.html)

Política de comentários do A Vez das Mulheres de Verdade e do A Vez dos Homens que Prestam
Já conhece o nosso Manifesto dos Homens que Prestam e o nosso Manifesto das Mulheres de Verdade?
O blog A Vez das Mulheres está em http://avezdasmulheres.thumblogger.com/ (com fotos de safadeza) e http://avezdasmulheres.wordpress.com/ (sem fotos de safadeza).
Grupo A Vez das Mulheres (discussões e fotos de sexo hétero e homens nus):
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Fórum Paraíso Concreto:
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One thought on “Os piores adversários do feminismo

  1. Gostei do texto, e é a mais pura verdade,os homens que insistem em tratar bem as mulheres são os que mais sao despresados, e isso causa uma revolta imensa.
    Tenho amigos que hj são extremamente insenciveis com mulheres por que ja foram pisados por elas no passado, alguns nem namorar querem mais.
    Eu ja pensei em varias opções, mas eu usei um raciocinio logico para não condenar as mulheres:se eu sou homem e quero tratar bem uma mulher, e existo, por que não haveria mulher assim? Carater é privilegio de genero ou de sexo? claro que não, se existe homens bom é claro que existe boas mulheres.
    É claro que eu nunca mais me apaixonei por mulher nenhuma, mas minha postura com elas ainda é boa, fico quando da pra ficar, transo quando da pra transar, mas minha dedicação é voltada pra meu desenvolvimento pessoal, pois eu sei o que quando isso é mais importante para um homem do que tratar bem uma mulher,ou melhor aquelas que não merecem.Bom texto, vcs deviam ter um face, hj em dia ele é mais acessado que qualquer site de relacionamento.

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